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O amor — suas dádivas e suas feridas

Cartão de citação com corações suaves em fundo framboesa: o amor nos abre e nos suaviza, e também nos expõe à decepção, ao mal-entendido, à ruptura e à perda.

Fevereiro é muitas vezes chamado de mês do amor — uma época de cartões, flores e gestos de afeto. No entanto, quando olho para a minha própria vida, o amor nunca foi simples nem unidimensional.

As maiores alegrias que conheci vieram por meio do amor. E também as dores mais profundas.

Nunca amei sem vulnerabilidade — sem o saber silencioso de que a perda era possível. E nunca vivi um luto que não estivesse ligado a alguém ou a algo que eu estimava profundamente.

Talvez isso também seja verdade para você.

O amor molda nossas vidas de maneiras belas e dolorosas. Ele nos abre, nos fortalece, nos surpreende e, às vezes, parte o nosso coração. O amor nos convida a momentos de ternura extraordinária e a momentos de perda profunda.

Amar é tornar-se vulnerável à própria vida. E, no entanto, apesar de tudo o que o amor nos pede, a maioria de nós continua indo ao encontro uns dos outros.

Talvez esse seja um dos milagres silenciosos de ser humano.

O amor nos abre

Quando penso nas pessoas que amei, não me lembro apenas do que elas me deram. Eu me lembro de quem me tornei ao amá-las. O amor tem um jeito de nos ampliar.

O amor faz emergir uma generosidade que não sabíamos possuir. Ele nos convida a ser mais pacientes, mais corajosos, mais dispostos a perdoar. Ele nos pede atenção — não apenas às necessidades e aos sonhos da outra pessoa, mas à nossa própria capacidade de cuidar.

O amor nos suaviza. Ele nos ensina a celebrar a alegria de outra pessoa como se fosse a nossa. Ele nos lembra de que nossas vidas estão inextricavelmente entrelaçadas.

O amor pode ser encontrado em grandes gestos, mas, com mais frequência, ele habita nos momentos cotidianos: uma mão repousando sobre um ombro. Uma refeição preparada depois de um dia difícil. Um amigo que lembra do que importa para nós. Uma criança que busca segurança. Alguém que fica.

Quando olho para os relacionamentos que me moldaram mais profundamente, eu me lembro de presença. Eu me lembro de ser vista. Eu me lembro da sensação de importar. Eu me lembro de me sentir querida.

O amor nos fere

É claro que essa é apenas uma parte da história. Porque o amor também nos expõe. À decepção. Ao mal-entendido. À ruptura. À perda. À angústia.

Não há como se importar profundamente com outra pessoa e permanecer intocado pela incerteza. Não podemos garantir como os relacionamentos vão se desenrolar. Não podemos impedir a doença, a distância, a mudança ou a morte.

Amar é reconhecer que aquilo que mais nos importa também é frágil.

Às vezes, respondemos a essa fragilidade nos protegendo. Nós nos retraímos. Ficamos mais cautelosos. Dizemos a nós mesmos para não precisar demais, não esperar demais, não arriscar demais.

Muitas vezes, essas estratégias surgem por bons motivos. Talvez tenham nos ajudado a sobreviver a experiências anteriores de rejeição, traição ou luto. Podem ter nos protegido quando tínhamos poucas outras opções.

Não precisamos criticar esses instintos de proteção. Mas acho que vale a pena se perguntar:

O que a nossa proteção tornou possível? E o que ela nos custou?

Como nossas vidas poderiam ser diferentes se afrouxássemos as mãos apenas o suficiente para nos permitir ser tocados de novo?

O que o amor ensina

As feridas do amor carregam sabedoria. Elas revelam o que mais importa. Iluminam nossos valores e anseios. Elas nos lembram da nossa capacidade de criar vínculos, de cuidar e de viver o luto.

A dor de perder alguém que amamos não é prova de que amamos mal. É prova de que amamos.

A dor da decepção nos lembra que ousamos ter esperança.

A ternura que sentimos ao lembrar de alguém que importou reflete a marca duradoura da conexão.

O amor nos transforma. Não apenas pela felicidade, mas pela dor. Não apenas pelo receber, mas pelo dar. Não apenas pelo segurar, mas pelo aprender a soltar.

E a maturidade não é sobre se tornar invulnerável. Talvez seja sobre aprender a permanecer de coração aberto enquanto honramos nossos próprios limites e necessidades.

Amar com discernimento. Proteger-se sem se fechar por completo. Viver o luto sem perder a capacidade de alegria.

Algumas perguntas para refletir

Se fizer sentido para você, talvez queira se demorar nestas perguntas:

  • Como você foi amado?
  • Como você amou?
  • Como essas experiências moldaram quem você é hoje?
  • Onde você protegeu o seu coração, e o que essa proteção lhe custou?
  • Se o amor estivesse guiando você neste momento, o que ele talvez lhe pedisse — em relação a si mesmo ou a outra pessoa?

Não há necessidade de correr atrás de respostas. Algumas perguntas existem para nos acompanhar. Talvez o simples ato de fazê-las permita que algo dentro de nós se suavize e se desdobre.

A coragem de amar

Poucos de nós atravessam a vida com o coração totalmente aberto o tempo todo. O medo curva a maioria das nossas trajetórias. A vida nos ensina cautela.

E, no entanto, apesar da decepção e do luto, as pessoas continuam cuidando de pais que envelhecem. Amigos se sentam ao lado de leitos de hospital. Parceiros escolhem um ao outro de novo e de novo, em estações de leveza e estações de tensão. Desconhecidos oferecem gentilezas inesperadas. Comunidades se reúnem em tempos de crise.

Mesmo depois de um coração partido, muitos de nós continuamos buscando conexão. De novo e de novo.

Encontro esperança nisso. Porque o amor nos ajuda a lembrar o que faz o sofrimento valer a pena.

Ele nos lembra que nossas vidas não se medem apenas pelo que realizamos, mas pela forma como nos fazemos presentes uns para os outros. Pela nossa disposição de nos deixar tocar. Pela nossa capacidade de estimar. Pela nossa coragem de permanecer ternos em um mundo que muitas vezes nos faz querer fechar o coração.

O amor traz dádivas. E o amor traz feridas. Talvez o convite seja simplesmente experimentar que amar profundamente é estar plenamente vivo.

E que, apesar de tudo, amar é um risco que muitos de nós escolheriam de novo e de novo.

Uma reflexão final

Ao atravessar os seus dias, talvez o seu coração possa se demorar nisto: quem e o que você amou tão profundamente que, mesmo sabendo como a história se desenrolaria, você escolheria esse amor de novo? E o amor de quem ainda vive dentro de você — nas maneiras como você consola, encoraja, estima e ousa abrir o coração?

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